Blog do Menalton


Terça-feira , 02 de Fevereiro de 2010


 
 

Com a corda no pescoço

A coleira no pescoço

 

 

 

 

 

A vida arrasta a vida, somos todos nós reféns do cotidiano e vítimas de contingências que estão além das nossas forças. Quem nunca se sentiu com “a corda no pescoço”? Mas, sobretudo, somos reféns e vítimas de nós mesmos, dos nossos medos, dos nossos vícios, da nossa covardia, dos nossos hábitos e até mesmo das nossas virtudes. A vida arrasta arraigados gestos que nos rasgam e aos poucos nos arrasam.

Mas sempre há a possibilidade de um instante de estranheza, de espantar-se, de um reconhecimento, de uma fuga para si mesmo.

O livro “A coleira no pescoço” (Bertrand Brasil), de Menalton Braff, fala desse cotidiano maçante e a possibilidade dos instantes.

É um livro de contos com histórias que, de uma forma ou de outra, nos identificamos. A primeira delas, cujo título dá nome ao livro, começa com uma bela e triste imagem:

“Nenhum dos dois conseguia disfarçar os danos da velhice, que suportavam em silenciosas e mútuas acusações. O velho parecia fazer um esforço enorme para puxar o cão ladeira acima. A sola seca de seus sapatos esfolava o ladrilho da calçada, arrancando-lhe um ruído ríspido, áspero, como de alguma coisa que se arrasta, e isso irritava o cão, cuja cabeça se mantinha o tempo todo virada de lado, o focinho apontando para a rua. Seu corpo todo era uma recusa tensa e escura, e ele tinha o olhar aborrecido de quem não pode esperar mais nada da vida além daquela coleira no pescoço, na ponta de uma corrente”.

Nesse conto, parece vir justamente do cão a percepção humana da decadência e do poder arrasador do cotidiano: “um ruído ríspido, áspero, como de alguma coisa que se arrasta, e isso irritava o cão”. E é o cão quem mantém alguma possibilidade de recusa, de estranhamento: “Por isso o pescoço torto, a cabeça virada para a rua: o lado de fora”.

Todos os contos do livro nos confrontam com a opressão dos hábitos arraigados e um instante de recusa ou estranhamento, que pode ser ou não a ponte para a transformação. Em “Alice e o violoncelo”, a personagem todas as noites é subjugada a tocar obsessivamente o seu instrumento diante do marido ciumento: “Não tocava para os outros, sedutora? Ninguém com mais direitos sobre Alice do que ele, seu marido”. Porém, “o modo como a mulher enlaçava o instrumento parecia-lhe despudoradamente sensual”. Metáfora que pode nos levar a várias interpretações, ao gosto de cada leitor.

A linguagem de Menalton é refinada, elegante e muito agradável. A sua leitura nos leva a querer ler mais, construindo imagens em que costura magistralmente o material com o subjetivo: “Um dia Teodoro sentou em cima do muro de sua casa e ficou com as duas pernas tão penduradas que parecia um desconsolo”.

O escritor foi vencedor do Prêmio Jabuti de 2000 (livro do ano, na categoria ficção), com “À sombra do cipreste”, também um livro de contos. Além disso, tem vários romances publicados.

Uma ótima indicação para uma leitura gostosa, instigante e que nos faz pensar um pouco mais sobre a condição humana.

 

 

 

André Augusto Passari - Médico Psiquiatra
Autor de “Fragmentos do Tempo” (Arte Paubrasil)
 (www.artepaubrasil.com.br) / Saraiva / Cultura

 

 

 

Categoria: Textos de amigos
Escrito por Menalton às 19h04
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Sábado , 23 de Janeiro de 2010


 
 

contículos

Valsando na avenida

 

 

O terno, a gravata e os sapatos, jogados sobre a grama, eram de marcas italianas. A cueca e a camisa eram nacionais mesmo, mas da melhor qualidade. Os transeuntes, que se amontoavam em volta do monumento entre curiosos e assustados, pisoteavam a roupa sem vê-la, mais interessados naquele homem de pele alva abraçado à índia de bronze.

Quando a polícia chegou espalhando o povo com cacetetes medonhos, o casal pulou sobre a grama e abraçados ainda saíram a valsar pela avenida. Seus passos eram tão leves e graciosos que o trânsito parou para vê-los passar.

Sob os aplausos da plateia, os dois valsaram até sumirem no horizonte.

Categoria: Meus textos
Escrito por Menalton às 17h45
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Quarta-feira , 20 de Janeiro de 2010


 
 

Crônica

Pensar é muito perigoso

 

 

Sei que vivo me repetindo, ninguém precisa me dizer. Acontece que alguns aspectos da realidade não mudam, e se mudam é pra pior. Então repito acreditando nos romanos antigos, quando diziam que repetitio mater sapientia est. Quem sabe algum dia...  

Um amigo, dos poucos que me restam, outro dia me disse que, tentando ser irônico, eu não consigo passar do sarcasmo. E o sarcasmo é grosso, pesado, ele acrescentou, com a certeza de quem acaba de inventar a roda. Meu caro, a grossura e o sarcasmo, se você ainda não percebeu, estão aí a nossa volta para ver quem quiser.

Só pra não viajar muito, veja o que vem acontecendo com as artes brasileiras, principalmente as ditas artes populares. A não ser que você seja fã do Tigrão e congêneres, então dou um tapa nesta máquina e vou dormir. Você já prestou atenção aos sambas-enredo? O Stanislaw, meu caro, o Stanislaw Ponte Preta foi um dos maiores profetas, não, poeta, não, eu disse profeta, deste país varonil. Seu “Samba do Crioulo Doido” deveria entrar como um dos livros do segundo testamento.

Dias atrás apareci em um evento, coisa que muito pouco tenho feito, e ouvi um ex-político, com a facilidade verbal que a maioria deles tem quando há público, afirmou que o povo brasileiro vai-se acanalhando. É um povo, são palavras dele, de chapéu na mão e sorriso calhorda, à espera das migalhas debaixo da mesa.

E é claro que a mídia, sobretudo a eletrônica, que depende de índices de audiência para sobreviver, é claro que essa mídia não é inocente no caso. Os ratinhos da vida andam por aí, ditando gosto, lotando auditórios, olhando pra baixo.

Tem-se falado que o brasileiro vem lendo mais. E acredito. Alguém descobriu que passamos dos miseráveis 1,9 livro/ano por pessoa para um número um pouco mais civilizado, que são os 4,7. Até acredito. Pode mesmo ser. Mas outro dia, encontrei um professor com mochila às costas, e ele me mostrou os dois livros que estava levando para as férias. Caramba, um professor! O primeiro era um best seller, destes que se vendem por quilo e se escrevem por fôrma; e o outro era um livro de autoajuda. Meu caro professor, só pessoas muito carentes, digo intelectualmente carentes, leem um livro com fórmulas do bem viver, empulhando pessoas até bem intencionadas que pagam para descobrir quão fácil é ser feliz.

É isso aí, mais uma vez juntei grossura a sarcasmo tentando ser fiel à realidade.

 

 

 

Categoria: Meus textos
Escrito por Menalton às 08h51
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Uma pouca vergonha

Foi meu primeiro contato com a literatura do Juan Carlos Onetti, fato que não me orgulha. Seu livro Junta-Cadávares é uma obra-prima no plano do conteúdo, em que a intolerância brutal do conservadorismo entra em guerra com o pensamento liberal. E não se trata de política, mas de costumes em uma pequena cidade. Como narrativa, seu romance atinge pontos de excelência e comp0etência técnica muito poucas vezes encontrados na literatura contemporânea. E isso, em uma linguagem simples, fluente, extremamente agradável.

Escrito por Menalton às 08h50
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Quinta-feira , 14 de Janeiro de 2010


2010 respira

Da alienação

 

 

Encerrei o ano de 2009 lá pelo dia 15 de dezembro, claro, porque daí em diante tudo era festa. Encerrei o ano pensando em férias e de férias pretendia ficar pelo menos até o fim de janeiro. Sombra e água fresca no fundo do meu quintal. Foi então que descobri ser a alienação um estado involuntário. De nada adianta querer: é preciso ser. Eu fugia do mundo, mas ele continuava traiçoeiramente a me enredar.

2010 nasceu sob o signo de grandes desastres. Signo maldito que se repete a cada 365 dias com modificações apenas na superfície. Logo no início deste ano, o Brasil abalou-se com os estragos causados pelas chuvas. Angra, São Luís de Paraitinga, Agudos foram nomes que frequentaram a mídia por muito tempo. Muitos prejuízos sendo o maior deles as vidas que se apagaram. Geógrafos, geólogos, políticos sugerem sempre as mesmas medidas necessárias e que não serão tomadas. O povo tem memória curta, em março ninguém mais vai se lembrar do assunto.

Em janeiro acompanhamos o desenrolar da novela Arruda e os 40 ladrões que tinha começado no ano anterior. A desfaçatez dos protagonistas, seu imenso cinismo, são causas para indignação. Como podem zombar a tal ponto da opinião pública? Bem, poder eles podem, talvez com justa razão: nas próximas eleições lá estarão eles reivindicando nossos votos e muitos de nós, brasileiros, vamos continuar a elegê-los. Eles sabem disso.

Agora as notícias que nos chegam do Haiti. Tanta miséria sem a colaboração da natureza já não era suficiente? Um desastre de proporções desconhecidas neste lado do novo mundo.

Nós, brasileiros, fomos mutilados com a perda de diversos soldados em missão de paz a serviço da ONU e com a morte de Zilda Arns, no Haiti a serviço da humanidade. Não conheço muito o trabalho dessa  mulher, mas o pouco que conheço a consagra como uma das criaturas que nos salvam do egoísmo calhorda.

Hesito muito em acreditar na raça humana como sendo uma espécie viável, e são muitas as razões para isso. Nos parágrafos acima existem exemplos de boas razões para a incredulidade. Mas há momentos em que minha descrença fica abalada, e a lembrança dessa médica brasileira, que na vida esteve quase sempre a doar-se àqueles mais fracos, portanto mais carentes, é uma brisa fresca para afastar os ventos mefíticos que se abatem sobre nós. Ela continuará sempre como a alegoria da solidariedade.

Adeus, Zilda Arns. Em teu nome voltei das férias.

Escrito por Menalton às 09h39
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Sexta-feira , 25 de Dezembro de 2009


 
 

2009 EXPIRA

2009 me deixou convencido de que a vida é regida por leis racionais a que devemos obedecer. Por isso, deixo como despedida de ano o contículo abaixo:

Tesouro no jardim

 

 

Todos os dias Nicanor levanta da cama e a primeira coisa que faz é desenterrar seu tesouro guardado no jardim. À noite, sua última providência, antes de deitar-se para dormir, é levar o baú até o gramado e ali enterrá-lo outra vez.

Hoje, finalmente, está chovendo e isso não acontece há muitos anos, desde que Nicanor passou a viver sozinho no casarão e decidiu manter seu tesouro escondido durante as horas em que não poderia ficar de vigília. Mas choveu muito durante a manhã toda e agora Nicanor observa pela vidraça, com verdadeiro fascínio, as pequenas lagoas barrentas que se formam em antigos buracos e o brilho dos montículos de terra transformada em barro visguento.

Quando a chuva parar, Nicanor terá de escolher outra rotina, pois seu tesouro estará flutuando no dorso de um pequeno córrego nervoso que desce em busca do rio.

                            *

 

Categoria: Meus textos
Escrito por Menalton às 19h35
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Quarta-feira , 23 de Dezembro de 2009


 
 

POETANDO - infantil

Voando

 

 

Lá no Sul se diz pandorga -

nome estranho, esquisito,

como aspargo, expurgo ou sirgo.

De papel, do mais bonito,

navega no céu azul

no silêncio do infinito

e só um barbante a segura

às mãos de um menino aflito.

 

Onde eu moro se diz pipa

nome certo, verdadeiro,

como apupa o papa à popa.

De papel, voa ligeiro

contra o vento, pelo espaço.

Fica olhando o mundo inteiro

e só um barbante a segura

às mãos de um menino arteiro.

 

Em São Paulo ela é quadrado

nome comum, mas gostoso,

como entrudo, e entrada adrede.

De papel, do mais vistoso, 

balouça lá nas alturas.

Seu olhar é pressuroso

e só um barbante a segura

às mãos de um menino ansioso.

 

Alhures é papagaio

nome de um bicho, por certo,

como caio em meio a maio.

De papel, de longe ou perto,

viaja no azul do céu

nadando em seu rumo incerto

e só um barbante a segura

às mãos de um menino esperto.

 

Seu nome é pandorga ou pipa,

é papagaio ou quadrado.

De papel, linha e varetas

quem solta não fala errado

Outros nomes poderão

brilhar no céu estrelado.

Mas só um barbante a segura

às mãos de um menino alado.

                                                                       *

Categoria: Meus textos
Escrito por Menalton às 08h33
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Domingo , 20 de Dezembro de 2009


DESPEDIDA DE 2009

 E eis que o Grupo de Leitura D. Quixote encerrou suas atividades de 2009. Foi uma festa em que cada um dos integrantes deu um livro ao amigo secreto e leu um poema previamente escolhido.

Em 2010 estaremos entrando no oitavo ano de existência do Grupo. Para janeiro, o livro escolhido foi QUARENTENA, de Le Clèzio, prêmio Nobel de literatura de 2009. Já li a metade e recomendo. Uma narrativa fluente em primeira pessoa, reflexões sobre a condição huma, provocadas por um grupo de viajantes que se vê confinado em uma ilha por causa de uma epidemia. Está valendo a pena.  

 

Escrito por Menalton às 21h30
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Quarta-feira , 16 de Dezembro de 2009


RELEASE

           

   

Moça com chapéu de palha, um romance e muitas crises

Novo romance de Menalton Braff trata da crise existencial e profissional de um experiente jornalista, mas também da própria crise da criação literária

 

SOBRE O ROMANCE

            O título deste romance, Moça com chapéu de palha, antecipa muitos aspectos da técnica narrativa de Menalton Braff. De imediato, ele sugere uma composição impressionista, que induz o leitor a participar da criação do significado da obra. O texto é lírico, intenso, e a análise do narrador, voltada para a crise existencial mais grave de sua vida, modifica-se com o passar do tempo. Nesse sentido, o estilo narrativo de Menalton nos remete – ao reavaliar o mesmo fato à medida que o protagonista se distancia dele – à série de pinturas de Claude Monet sobre a catedral em Rouen.

            Este livro ainda revela muitas cenas campestres, pinceladas como se fossem uma natureza morta. É quando também há maior abertura para o registro de cenas cotidianas, triviais, mas que, pela qualidade com que as tintas e os movimentos são manipulados, ganha um papel muito relevante em Moça com chapéu de palha: elas completam o painel impressionista, que vai misturar a leveza do erotismo com o peso da incerteza sobre a vida. As impressões nascem ora do que vai sendo mostrado com solidez, o amor entre o protagonista e Angélica, sua mulher, ora pelas incertezas do narrador em torno do seu destino.

            E é justamente acerca das incertezas que o romance ganha um contraponto, um tom que por vezes, de modo instigante, nos faz lembrar da literatura noir, repleta de mistérios e suspenses. Acentua-se então o cenário urbano, da redação do jornal e das relações profissionais ali estabelecidas, da falta de ética, do poder que consome o compromisso com a verdade, um lema que a imprensa carrega consigo feito um estandarte.

            De um lado, o campo, o cuidado na preparação da comida, na arrumação da mesa de jantar, no zelo com o jardim, na vida amorosa e sentimental, enquanto, de outro, estão a cidade e sua máquina incessante, brutal e estressante. Qual dos dois é mais verdadeiro? Qual dos dois é mais importante? São perguntas que se colocam neste romance e são formuladas em diálogo com a própria criação literária, num jogo metalinguístico que apenas um autor maduro como Menalton Braff poderia conquistar.

 

 

 

SOBRE O AUTOR

            Menalton Braff nasceu em Taquara, Rio Grande de Sul, em 1938. Foi professor assistente de Letras na Universidade São Judas Tadeu, em São Paulo, e também lecionou em diversos colégios, em Batatais, Catanduva, Ituverava e Ribeirão Preto. Reside desde 1987 em Serrana, cidade-satélite de Ribeirão Preto. Autor, entre outros, de À sombra do cipreste (contos, 1999, prêmio Jabuti de Literatura em 2000 na categoria Livro do Ano – Ficção), Gambito (novela infantil, 2005), A coleira no pescoço (contos, 2006) e A muralha de Adriano (romance, 2007, que recebeu menção honrosa no 50.o prêmio Casa de las Américas em 2009). Contista, novelista e romancista, Menalton Braff é um dos escritores mais importantes da literatura brasileira contemporânea.  

 

 

 

      Título: Moça com chapéu de palha

                                Autor: Menalton Braff

                                Coleção: Ponta de Lança

                                Editora: Língua Geral

                                Medida: 13x18cm

                                Número de páginas: 216

                                Preço: R$ 34,00

                                ISBN: 978-85-60160-56-3

 

 

 

Contatos:

Carolina Casarin

Língua Geral Livros Ltda.

Rua Jardim Botânico, 600 / gr. 501 a 503 – Jardim Botânico

Rio de Janeiro – RJ

22460-000

www.linguageral.com.br

e-mails: info@linguageral.com.br

              carolina@linguageral.com.br

              eduardo@linguageral.com.br

tels.: (21) 2279-6165 / 2279-6184

Escrito por Menalton às 12h44
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Terça-feira , 15 de Dezembro de 2009


ÚLTIMA HORA

COPO VAZIO. TEM TUDO A VER COM A HISTÓRIA. AGORA NÃO MUDA MAIS: FOGO CRUZADO, O PRIMEIRO TÍTULO, JÁ EXISTIA UM LIVRO COM ELE. SE TODOS OS DIAS FOSSEM DOMINGO ERA MUITO EXTENSO. CONCLUSÃO, VAI SAIR COMO COPO VAZIO.

Escrito por Menalton às 11h36
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FIM DA TORTURA

ÀS VEZES CHEGO A PENSAR QUE É MAIS FÁCIL ESCREVER UM LIVRO DO QUE DAR UM TÍTULO A ELE. ENFIM CHEGAMOS, A EQUIPE EDITORIAL DA FTD E EU, A UM TÍTULO: SE TODOS OS DIAS FOSSEM DOMINGO. O LIVRO DEVE ANDAR POR AÍ JÁ NO PRÓXIMO DIA 15 DE JANEIRO.  

Escrito por Menalton às 11h18
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Segunda-feira , 14 de Dezembro de 2009


PÉ NA ESTRADA

Acho que desta vez encerro  o ano. Amanhã ainda vou a Brotas para falar a professores da rede municipal sobre "A importância do professor leitor." Depois é descansar (das viagens) até fins de janeiro. Ano que vem tem mais. Enquanto isso continua o romance com o título provisório Tapete de silêncio.

Infelizmente não vou conhecer a cachoeira aí em baixo. Devo chegar a Brotas lá pelas 19h30, mais ou menos.

      

 

 

Escrito por Menalton às 21h08
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Domingo , 13 de Dezembro de 2009


SARAMAGO

Talvez nem um mês tenha-se passado desde que fomos assistir ao concerto da Maria João no Teatro Pedro II - RP. Saímos deslumbrados, a Roseli e eu, com o poder musical da Maria João. Soubemos, na época, que se tratava de pianista portuguesa, emigrada para a Bahia por questões com o governo de seu país. Eis que surge no blog do Saramago, esta homenagem à Maria João:

Sobre Maria João Pires

December 9th, 2009

Maria João Pires não teve muita sorte com o país em que nasceu. Sessenta anos de carreira (e que extraordinária carreira a sua) justificariam uma homenagem de âmbito nacional capaz de expressar a nossa gratidão por pisarmos o mesmo chão e respirarmos o mesmo ar. Não será assim, pelos vistos, ainda que não lhe venham a faltar na terra portuguesa outras manifestações de admiração e respeito. Foi em casa de uns amigos que a ouvi pela primeira vez, quando ela não passava de uma adolescente que, com o seu frágil corpo, mal parecia haver saído da infância, e que me fez temer se os braços e as mãos lhe chegariam para enfrentar-se ao gigantesco teclado. O piano familiar, vertical, talvez não estivesse em perfeito estado de afinação, mas as primeiras notas saltaram límpidas, cristalinas, dando-me a sensação, não de serem a mera consequência do choque dos martelos com as cordas, mas de haverem brotado directamente dos dedos da própria pianista. Foi o meu baptismo na arte de Maria João Pires. Depois, ao longo dos anos, sempre que ela, já viajante emérita, aparecia por Lisboa a dar os seus recitais, eu lá estava, rogando às potestades celestes que a protegessem do mau-olhado, de um simples sopro de ar que a perturbasse. Talvez por efeito das minhas petições e do crédito que tenho no céu, todos os concertos e recitais de Maria João Pires a que assisti chegaram felizmente ao seu termo. Desta vez, por razões de distância e também de saúde, não poderei estar presente, dar palmas e beijar as suas mãos tão cheias de música, de humanidade, de beleza. Por tudo o que me fez ouvir e sentir, Maria João, obrigado.

 

Escrito por Menalton às 18h38
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Ainda São Paulo

Foi no lançamento do Cartas do fim do mundo que tive o prazer de conhecer a GISELDA PENTEADO DI GUGLIELMO, Diretora Cultural do Club Athletico Paulistano, pessoa estimada e respeitado nos meios social e literário. Prometi a ela uma palestra no clube.

Escrito por Menalton às 17h11
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CARTAS DO FIM DO MUNDO

ESTOU DE VOLTA.

Ontem fui a São Paulo para o lançamento da coletânea Cartas do fim do mundo, da qual faço parte. Foi um sucesso. Encontrei velhos amigos, como a Jeannete Rosza, o Túlio Kawata, a Flora Figueiredo, a Marisa Moura, além de conhecer pessoalmente autores coparticipantes da antologia: Brontops Baruq, Claudio Brites (o editor e autor) e Marne Lúcio Guedes. O Marcelino Freire, amigos de muitas jornadastambém marcou presença, assim como o incansável organizador e aglutinador, um dos mentores da coletânea, o Nelson de Oliveira. Atenção, para abril já tenho a promessa do Nelson de comparecer a nosso Serão Literário. Cartas do fim do mundo é uma edição da Terracota Editora.  

 

Escrito por Menalton às 16h37
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