Vasto mundo
Do otimismo
Que desde já me perdoem todos os otimistas de todos os matizes, mas não entro mais nesta, de esperar as mudanças, de contar com as transformações que farão do planeta Terra um lugar menos irrespirável. Já vi esse filme, e até mais de uma vez. Novamente otimista, me consideraria apenas tolo.
Se você percebeu que estou falando da eleição de Barak Obama para o governo dos Estados Unidos, você é uma pessoa plugada, com sensibilidade bastante para se deixar penetrar pelo mundo e suas realidades. Acho que você vai entender meu ponto de vista.
Para que não haja desvios de interpretação, declaro desde já: não sou profeta, não quero ser profeta, não acredito em profecias. E nisso me saio melhor do que o padre Antônio Vieira, da Clavis Prophetarum, que se proclamava profeta. Não, se alguma coisa aprendi, e juro que aprendi muito pouco, foi na base da porrada, puro conhecimento empírico.
A eleição de Barak Obama deve ser festejada, sim, mas apenas como ato simbólico de uma falência: o racismo. Não que ele tenha sumido, mas foi vencido, está em baixa. E só. E não estou querendo dizer que nada vá mudar.
A política interna dos Estados Unidos muda a partir de janeiro. Haverá, de agora até o fim do mandato do presidente eleito, uma maior preocupação com a distribuição da renda, sobretudo no que diz respeito aos salários indiretos, como educação, saúde, seguridade social. E isso não é uma grande coisa? Claro que é, mas isso é o que mudaria com qualquer presidente do Partido Democrata. É sua diferença do Partido Republicano. Aliás, diferença presente e bem clara em todos os discursos de campanha.
No mais, o vergalho continuará nas mãos do império até que ele deixe de o ser.
É muito fácil confundir governo com poder e imaginar que um presidente, por ter sido eleito, e por contar com o apoio da maioria da população, esteja investido de poder. Ele é pago para administrar, para fazer tudo para que a máquina funcione. Ora, os falcões não fugiram para as florestas. Estão lá, atentos, manobrando os executores de seus interesses. As companhias de petróleo, as grandes corporações econômico-financeiras, todos eles, se bem que meio machucados pelas besteiras que eles mesmos andaram fazendo, continuam com a mesma força que já detinham e não se creia (pois seria ingenuidade) que eles abdicaram do poder. Deram uma folguinha ao governo, mas não soltaram as rédeas do poder.
Se alguma coisa mudar é porque o mundo mudou, é porque a lógica ditada pelo equilíbrio de forças mundial assim exigiu.
Não que me desagrade o Barak Obama presidente dos Estados Unidos, isso não. Pelo contrário, desde o início vi nele, muito mais do que em seu adversário, o perfil de um estadista. Mas a lógica do império continuará imperando, e isso até que os novos bárbaros invadam a nova Roma. Barak Obama não se parece a Rômulo Augusto, muito menos a Odoacro, que, em épocas remotas da história da humanidade, desmontaram ou participaram do desmonte do maior império que já existiu.
Escrito por Menalton às 08h58



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