Não mais que uma crônica

Inauguro minhas leituras de 2009 com um autor até então desconhecido para mim, que, entretanto, foi merecedor de vários prêmios na Inglaterra. Acabei de ler Colina negra, de Bruce Chatwin, escritor inglês morto em 1989. O livro foi editado no Brasil pela Companhia das Letras.

Trata-se de um relato ou crônica de uma região com os acontecimentos locais e mundiais como matéria principal das extensas descrições permeadas por narrativas curtas nem sempre articuladas. O narrador toma uma família em fins do século XIX e vem acompanhando a morte de alguns e o nascimento de outros até a época do governo de Margareth Thatcher.

O romance não tem, aparentemente, outro objetivo senão explorar o que existe de pitoresco no país de Gales. Costumes, tradições, relevo, fauna e flora dessa região das ilhas britânicas. O autor deve ter sido um pesquisador atencioso pois não economiza, em suas descrições, as tintas das cores locais, com vocabulário rico em regionalismos e detalhes que parecem surgir de uma câmera sôfrega por captar tudo o que pareça diferente da Inglaterra.

O envelhecimento, sobretudo dos dois irmãos gêmeos, que em geral podem ser considerados os protagonistas da história, e as mudanças pelas quais a região vai passando com o correr do século, eis o que se lê.

Não há um fim a que chegar, uma solução, não há o avanço de uma narrativa, tudo isso substituído pela minuciosa descrição da passagem do tempo. Uma das falhas do romance, se assim se pode considerar, é a ocorrência muito freqüente de cenas que servem apenas de suporte para a existência da vida local. Não vejo por que nominar, descrever com minúcias, dar a origem de personagens que jamais voltarão a aparecer. Foi um encontro casual em uma estrada e o narrador gasta páginas dando informações de quem some na estrada e no romance.

A exploração do pitoresco não nos parece a melhor matéria da literatura. O romance que se queira cartão postal perde em dramaticidade e em trabalho poético da linguagem. A busca do exótico me parece coisa do passado.