Palhinha
Ontem à noite começou minha última participação no romance MOÇA COM CHAPÉU DE PALHA, isto é, o corpo a corpo com o preparador de texto.Avançamos 31 páginas sem contusões mais graves. Vai aí uma palhinha, fragmento do capítulo 7: Neste momento, não entro no ângulo de visão de minha namorada, portanto não existo. Para Angélica, concentrada em sua paisagem, não existo. Ela escolheu uma fatia da natureza, uma série de cores que sugerem algumas formas, e nada, além disso, tem existência para ela agora. Parece absorta, mas está concentrada. Mais bela do que nunca, no centro de uma tela de Monet. A esta distância não vejo seus traços com nitidez e incumbo minha imaginação de recriá-la, e minha imaginação a recria perfeita. Quando foi que passei por esta mesma sensação de que a perdera, que nesses momentos uma espécie de transe a roubava de mim? Não vislumbro a cena, mas o sentimento eu já conheço. Sua concentração expulsa-me de sua paisagem. Quando foi que sofri tal sensação pela primeira vez? Em setembro, meus caros, em setembro vai para as livrarias. Então não será mais meu.
Escrito por Menalton às 08h19
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