Em Bebedouro
A Professora MS Mariângela, titular de Literatura Brasileira da FAFIBE, Faculdades Integradas de Bebedouro, vem desenvolvendo um trabalho simplesmente formidável em prol da literatura junto a seus alunos. Ela alia a paixão pela literatura a uma argúcia invejável em suas análises e o resultado é o alto nível de sua cadeira no curso. Conheci a Mariângela no último GEL (Grupo de Estudos Linguísticos), que este ano aconteceu aqui em Ribeirão Preto, na UNAERP. Descobrimos que já nos cruzáramos na USP, em São Paulo, no último simpósio da Abralic (Associação Brasileira de Literatura Comparada). A presença nesses encontros, a participação constante com comunicações, revelam seu espírito curioso, sério e insatisfeito. Ela é uma criatura adorável. Bem, ela é especialista em Clarice Lispector, cujo A paixão segundo GH lhe serviu de corpus no mestrado. É preciso dizer mais alguma coisa?
Protegido por duas alunas logo depois da palestra: Novos rumos da literatura: a narrativa poética.
O carinho da recepoção dos alunos de Letras, depois de uma jornada de reflexões sobre o fato literário, eis o que me mantém acreditando no futuro e que me dá a certeza de que a literatura não morreu, como alguns vêm anunciando há muitas décadas. Voltei de Bebedouro em estado de graça. Este grupo é apenas uma parcela mínima do que foi o auditório. Parabéns FAFIBE (Dr. Cida, Siumara, Mestres Rivaldo e Mariângela).
Escrito por Menalton às 06h40
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CINEMA

Naturalismo extemporâneo O cinema norte-americano de consumo, mesmo quando parece que vai dar certo, acaba frustrando o espectador mais exigente. É o naturalismo ingênuo e completamente atrasado, no tempo, como concepção de mundo. Na natureza selvagem, um filme dirigido por Sean Penn, tem uma narrativa alinear inteligente, uma fotografia exuberante e um elenco dos melhores. A fotografia de Eric Gautier é formidável, não só pela variedade e beleza das paisagens mostradas mas também e principalmente pelos ângulos de que ela é tomada. Cortes, planos, ritmo, componentes da expressão, ou seja, uma ideia posta em concreto, são aspectos do filme que só merecem elogios. O desempenho de Emile Hirsch, no papel de Chris McCandless, assim como dos demais integrantes do elenco, não chega a ser arrasador, mas é bom, sem trejeitos desnecessários. Chris é um jovem recém-formado que “queima seus navios” e, inconformado com a sociedade em que vive, suas falsidades, parte em busca da natureza selvagem, onde supõe encontrar a verdade numa vida inteiramente livre. Desde o início ocorre uma ambiguidade involuntária: o jovem é apresentado como um espírito irrequieto em busca de aventura, sentido desmentido logo depois quando passa a ideia de um jovem rebelde, inconformado com o stablishment, do qual tenta fugir. Isso, entretanto, passa sem graves prejuízos. Apesar da diferença existente entre um espírito aventureiro, gratuitamente aventureiro, e a atitude de rejeição de determinado status quo. O final não cai na tentação do happy end, tão ao gosto de Hollywood. Não existe o retorno do filho pródigo a cair nos braços salvadores da família. O final é coerente com a história. É um bom filme com o vício ingênuo do naturalismo. Quando começam as explicações sobre os porquês da fuga e da aventura, a história se estraga. Aquilo que parecia o sentido principal, o texto implícito, fica inteiramente prejudicado. Com a mania de “baseado em fatos reais”, o cinema norte-americano fica impotente para uma reflexão generalizante, metafísica. Predomina o pensamento empírico, pois só trata de casos particulares. Assim é o que acontece neste filme. No apagar das luzes, o que resta não é o ser humano inconformado, rebelde, sonhando com suas utopias, perseguindo uma vida ideal. Ao tentar, como sempre, uma explicação racional para o “desviado”, Jon Krakauer, autor do livro em que se baseia o roteiro do filme, bota tudo no chão raso de um caso particular: o jovem foge é do casamento infeliz de seus pais e do autoritarismo do genitor.
Escrito por Menalton às 15h45
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